segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O tempo me guardou você - Ivan lins

atrás da porta


Há dias em que não consigo
completar meu jogo.
No meu quebra cabeça.
há sempre uma peça 
que não se encaixa,
ou alguma que não se acha.
Por mais que eu vasculhe as gavetas,
mexa e remexa em lembranças...
Eu bem sei...
Ela deve estar atrás da porta,
aquela que eu resisto.
Aquela que tenho medo.
Aquela, que não tem chave
e que é tão difícil 
de abrir.


foto: Ugo Perissinotto




domingo, 27 de fevereiro de 2011

voarei




Voarei além do tempo e do espaço
para chegar ao teu lugar.
Cantarei as paisagens,
sonharei além das vidraças.
Te levarei o perfume das flores
que a vida, no vento, me lançar.


foto: Ugo Perissinotto


sábado, 26 de fevereiro de 2011

pra Cris Angelini



Houve um tempo de cantar.
Anos em que cantar era como rezar,
era o pleno viver.
Cantávamos tanto,
parecia que nosso canto
invadiria o planeta,
que o universo reconheceria nossa voz
(e a sua garra.)
É claro, não mudaríamos tudo,
apesar da vontade, da ilusão (in)consciente.
Bastava. Bastou.
Com sua voz desafinada
fez o canto da liberdade florescente
entrar no coração de muita gente.
Com meu violão descompassado,
ora ou outra, chorávamos,
ora ou sempre, ríamos
contando nossas mazelas,
nossas conquistas
e fazendo da vida
o que ela devia e deve ser,
o que ela é:
dor e alegria.


foto: Ugo Perissinotto

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

dança da lua



 Noite de lua cheia,
 festa no céu e na terra.
A lua dança,
as ondas agitam o mar
e os corações se aceleram.
O lobo uiva o seu amor,
 a paixão se exalta em flor
e a natureza celebra
a dança da lua,
 que brinca feliz.


foto: Ugo Perissinotto 




sábado, 19 de fevereiro de 2011

momentos bem guardados


Meu pensamento está bem guardado.
Há um tempo que se guarda,
com cuidado, 
por todos os lados.
Há sempre um lugar
onde o tempo pára.
Hoje a lua se escondeu
entre nuvens
travestidas de
montanhas e pássaros.
Logo será cheia.
O mar cantará,
os pássaros voarão
e as montanhas
mudarão de lugar.
O meu pensamento, não.



foto: Ugo Perissinotto - Veneza

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Taiguara - Fotografias



maravilha, tesouro encontrado no fundo do baú.
obrigada soraya.

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa



Interpretação visual do poema de Fernando Pessoa na Voz de Paulo Autran.
Aula de Áudio e Vídeo do Infnet
Affter Effects - Animação
Premier - Montagem, efeitos e finalização.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

aquarela


dança o pincel
do vermelho ao lilás
tarde aquarela


foto: Ugo Perissinotto

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sol em Concórdia




luz no horizonte
traz sombra na terra
paz em Concórdia

foto: Ugo Perissinotto 

magia em Cordovado


a tarde encanta
canta a alma de quem vê 
luz e magia 


foto: Ugo Perissinotto

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Reclamar não é solução

  Texto de Bel Cesar 


Lama Michel nos alertou recentemente em seus ensinamentos sobre quanto
tempo e energia perdemos com a mania de reclamar. Fiquei tocada ao escutar
os seus conselhos sobre a importância de não ficarmos presos aos problemas
na tentativa de conhecê-los melhor: “Em geral, ficamos presos em nossos
problemas ao invés de nos concentrar na solução. Ficamos mastigando eles
tempo demais... Até parece que gostamos do sabor que os problemas têm! Se
eu estou comendo uma coisa ruim, deveria me focar em saber o que fazer
para me livrar disso, em vez de me envolver cada vez mais com o problema”.
O ato de reclamar alimenta a visão negativa dos problemas. Assim eles
crescem cada vez mais. Reclamar é uma forma de auto-hipnose: ficamos
intensamente convencidos do que dizemos a nós mesmos. Reforçamos a carga negativa de um problema à medida que nos indignamos com ele.
Para cultivar a disposição interna de identificar-se com a solução e não
com a confusão, precisamos nos desapegar da ilusão de que ficar com o
problema seria uma maneira de ganhar algo que queremos muito.
Para nos libertar do problema teremos que desistir dele. Pode parece até
simples demais o que vou dizer, mas faz muita diferença pensar sobre a
seguinte questão: “Como seria minha vida sem esse problema? Isto é, o que
ganho em dar tanto peso a esta questão”?
Em geral, não nos desapegamos de nossos problemas porque atribuímos a eles um meio importante de expressar a nossa existência: quem somos em relação aos outros e a nossa própria auto-imagem. De fato, um problema refletetanto a nossa força interior quanto a nossa vulnerabilidade.
Se um problema nos faz sentir fracos, iremos resistir em encará-lo de
frente. Reclamar será então um ótimo meio para dar voltas em vez de
solucioná-lo. Pode até parecer que ao reclamar estaremos atacando o
problema, mas, na realidade, nos tornamos cada vez mais vítimas de um
processo sem solução.
Ao passo que, ao decidir encarar nossos problemas de frente, baseados na
intenção de nos libertar deles, teremos menos medo ou resistência em nos
arriscar diante de novas soluções.
Reclamar é um jeito de justificar que não mudamos porque não sabemos fazer
de outro modo. OK, pode ser verdade que se soubéssemos agir de um modo
diferente já o teríamos feito. Mas para caminhar em direção à solução e
não ficar patinando no problema, teremos que nos arriscar a ver as coisas
de outro modo: começando por cultivar a humildade de nos render diante de
nossas próprias convicções. Temos que nos desapegar da visão que até então
tivemos deste problema! Se esta nossa visão fosse positiva, e nos
trouxesse reais benefícios, não estaríamos ainda presos ao problema.
Portanto, é melhor decidir-se por abandonar o orgulho de ter sofrido tanto
por algo do que manter-se preso a ele!
Paramos de reclamar quando reconhecemos nosso potencial de gerar mudança sem nosso interior. Como diz Lama Michel: “Em geral nossa auto-imagem é tão estática que achamos que é mais fácil mudar o que está à nossa volta. Mas já sabemos que isso é uma ilusão. Se não podemos mudar as coisas fora de nós, ainda assim temos a liberdade de aceitar viver de maneira diferenteuma mesma situação”. Quando mudamos internamente, tudo muda à nossa volta. É a tal velha história: sermos nós mesmos a mudança que queremos ver no mundo.
Todo mundo sabe que a mudança interna não acontece de um dia para o outro.
Ela começa quando reconhecemos que reclamar só nos faz aumentar o
sentimento de insatisfação e termina quando nos desapegamos da resistência
em aceitar a própria mudança.
Ao passo que encontrando força interior pela clareza de pensamento de um novo olhar, diminuímos a resistência em lidar de frente com nossos problemas. Gradualmente nos tornamos mais flexíveis. Quando esta compreensão racional amadurece e aceitamos emocionalmente o novo ponto de vista, sentimos o frescor de um novo bem-estar: um sinal que adquirimos espaço interior.
Lama Gangchen costuma nos dizer: “A natureza positiva da mente é como o
espaço infinito. No entanto, ele diminui com a presença dos pensamentos
negativos. Se quisermos nos sentir bem, teremos que cultivar pensamentos
positivos para relaxar em nosso confortável espaço interior”.

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Bel Cesar é psicóloga clínica com formação em Musicoterapia no Instituto Orff em Salzburgo, Áustria. 

Pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano. Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. Em 1987, organizou a primeira visita de Lama Gangchen Rinpoche ao Brasil. Presidiu o Centro de Dharma da Paz Shi De Choe Tsog, em São Paulo, por 16 anos, tendo em 2004, tornado-se presidente honorária.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sinos no domingo


No silêncio domingueiro
ouvi  ao longe sons de sinos.
Pura imaginação, pois não era hora de missa
e o sacristão deveria estar fazendo a siesta.
Mas me intrigaram os sons...
Eram como aqueles que badalavam
no tempo em que éramos nós.
Havia sempre um que fazia o som forte do seu não
e outros, que suavemente deixavam escapar
um sustenido sim no seu olhar que me sorria.


foto: Ugo Perissinotto - Campanário de Caorle 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

o lugar do amor



A gente espera que o amor venha,
mas o amor não vem.
Ele já está  no seu lugar
guardado pelo tempo.

A gente sonha um amor
como coisa que não se tem,
que está contido
em alguém.

A gente vê o amor
vive e sente 
sempre de fora
pra dentro.

O amor tem lugar cativo.
Ele nasce e cresce dentro.
Espera ser visto e sentido,
prá se lançar no vento.

foto: Ugo Perissinotto