quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Máscaras


Grudam em nossos rostos
de um jeito que nem percebemos.
Quando nos damos conta,
não sabemos mais
quem é quem,
quem é o que.

Máscaras!
Ah! Essas malditas!
Grudam tanto em nossa alma!
Mudam olhares e caminhos...
Dão um trabalho imenso
Pra arrancar...

Tem dia que ao olhar no espelho,
a dor é tanta, que...nem pensar!
Mas tão importante olhar,
nem que seja devagar!
Pra que se possa respeitar
e entender
que as coisas têm um sentido,
que nem sempre é aquele
que se aprendeu a acreditar.

Máscaras!
Ah! Essas benditas!
No trabalho que nos dão pra tirar
um pouquinho, em cada dia,
no espelho maldito de todo dia,
fazem o olhar sorrir,
o sol brilhar
e o coração acreditar

terça-feira, 28 de setembro de 2010

o canto das cigarras


sempre sinto a chegada da primavera
quando escuto cigarras.
hoje, quase ensurdeci
e confirmei :
a primavera chegou!
eram tantos gritos, tantos "cantos"...
um coral, em concerto!
o sol tentava, tímidamente, aparecer entre as nuvens
em um céu carregado,
cinza.
era um sol molhado.
no chão, também  molhado
pela chuva tão desejada,
vi as plantas resgatando o verde,
respirando.
pelo caminho fui ouvindo as cigarras cantando,
gritando feito loucas,
como se pedissem às nuvens
que abrissem espaço ao sol.
pobres cigarras!
cantam tanto, que nem elas mesmas
sobrevivem ao seu próprio canto.
não vêem o sol, nem as flores,
não são boas, nem ruins,
cumprem sua missão.
apenas cantam!

domingo, 26 de setembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

saudação à primavera


o relógio marca a hora
o girassol sorri ao sol
na torre as badaladas
anunciam a primavera

sejam bem vindos
os sons da chuva
sejam bem vindas
as cores, os perfumes
e as flores


foto: Ugo Perissinotto

a ponte


passa o tempo 
sobre a ponte
sob a ponte
o rio
a flor na ponte
desponta
vence o tempo 
no vazio


foto: Ugo Perissinotto

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Meio ou inteiro?


Despetalando a margarida
a moça perguntava:
Ser meio amor,
ou dor inteira ?
A flor, doída, respondia:
Meio amor alegra,
sofre e morre.
Dor inteira dói,
mas passa.

Já não era mais margarida.


foto: net

sábado, 18 de setembro de 2010

Teu gosto


No coração
leve amargor

Na pele
doce papaia

Nos olhos
maçã verde

Nas mãos
uva madura

Na boca
sabor de mel

No abraço
gosto de amora

Gosto do jeito
que eu gosto

Tens gosto
de fruta no pé

terça-feira, 14 de setembro de 2010

pensando em clarice

  enquanto você se ausenta,
  eu vivo.
  não te espero
  e nem espero
  que você entenda.
  não vivo para a compreensão,
  vivo a confusão.
  nasci, não para ser entendida,
  nasci pra viver
  e ser vivida.

Lendo Lya



...Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar...


Lya Luft

cena final

Nunca tiveram grandes sonhos,
nem grandes ambições,
essas coisas
de gente normal.

Por obra do destino
guardam na memória
um momento de história,
coisa de gente normal.

Cena de filme francês, talvez,
de um amor proibido, contido,
com final infeliz
no metrô de Paris.

Pela janela, cruzam-se os olhos,
o coração silencia...
o trem vai e leva o amor
resta o gosto, desgosto, de um beijo.

Plofplofunda - padinha Dani



Era uma beis
uma padinha
que tinha lindas palabrinhas
na ponta da sua barinha

Era uma beis
uma padinha
que tinha um plopt plupt
e nem era pantasminha

Era uma beis
uma padinha...
que tinha lingua de Maria
e olhos de Pedrinho...

Tão bonitinho!

Era uma beis
uma padinha...
que tinha pincéis coloridos
e desenhaba palabrinhas.

Era uma beis
uma historinha
de bida, bibida
na estrela da padinha.

Era uma pada pelefe
que brincaba de biber
desenhando com a barinha.
Que linda padinha!!!

Palaba plopt plupt
Plofplofunda
não é ausente, sente
nunca será pantasminha.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

têm pe ros... tem po rais


Nesse universo imenso de palavras...
há certas, ou, erradas...?

As palavras nunca são erradas.
Errados são os momentos.

Contraditórias são as intenções
de quem diz.

Indigestas são algumas
que se fazem engolir

Mas quando o senso é bom
tem-se a clareza como acompanhamento

No prato em que elas são servidas
pode não haver o tempero certo...

Quem sabe, até falte um certo tempero,
ou, tenha sal demais na entonação.

As palavras nunca são erradas.
Errados são os momentos,

têm pe ros,
tem po rais.
"Você sabe na cabeça, mas você não sabe no coração. Existe uma extraordinária distância da cabeça para o coração: uma distância de dez, vinte, trinta anos ou toda uma encarnação. Você pode saber algo na cabeça por quarenta anos e isto pode nunca ter tocado o seu coração. Somente quando você souber isto no seu coração você ficará realmente consciente disto." 


Carl Gustav Jung

sábado, 11 de setembro de 2010

lua e estrela




Quando a lua te sorrir,
acredite:
aquela estrela é tua.


Há um momento

Há um tempo
em que o tempo passa
e não se pensa no tempo
há apenas o momento

Há um tempo
em que o tempo passa
e o  prazer
é resgatar momentos

Há um tempo
em que o momento que passou
se faz tão  importante
que se refaz cada movimento

Há um momento
em que o tempo que passou
explica todos os movimentos
cada um no seu tempo

...................................................

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

catarse

Uma estrela cadente passou,
fiz um pedido,
pensei em você.
Futuro ... passado 
em segundos na sacada .
Minhas violetas me olharam,
reguei-as, entendi.
Tirei as folhas secas
e doentes
pensei em mim.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

hortênsia


foto: Ugo Perissinotto
Andava quieto
Silêncio - silabando
Murmúrios
Borbulhas no aquário
Faltava-lhe o ar

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

rimas


Poesia
devia rimar com alegria.
Poema
não devia rimar com dilema,
nem problema.
Devia ser canteiro de flores,
encher  os olhos de cores,
escalar cumes,
fazendo sentir perfumes,
contando histórias de andanças
cheiros de boas lembranças.
Fazer rimas de amores
sem dores, sem ciúmes.
Poesia 
devia ser rima fácil
em boca de mãe
prá acalentar sonhos
e curar dores de amores...
Poesia devia estar,
todo dia,
rimando com alegria.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vida em verso


A vida em verso
brinca
criança
Esconde e amansa
falsa fera
o medo
Acorda e salta
alcança
o sonho

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Verse ando

Menino brincando na areia
fez castelo, bolo
e sereia

O mar mandou uma onda
cobriu o castelo,
levou a sereia

Menino fez cara feia
depois riu ao ver o mar
procurando a sereia de areia

Verse ando

No meio da brincadeira
o acaso tomou a frente
fez de conta que era amor

Saudade não quis brincar
teimou, bateu o pé
brincadeira acabou em dor